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Post pandemic real state

Ottavio Paponetti, 2020


Ottavio Paponetti formou-se em arquitetura em Veneza após ter estudado e trabalhado em lugares como Istambul e São Paulo. Pesquisa as relações entre arquitetura e representação na sociedade do “self mídia”, investigando um futuro possível para o doméstico a partir dos “millenials”

Texto por Ottavio Paponetti



O Tododia parou. Vivemos em uma suspensão que se manifesta na cidade em forma de vacuidade do espaço público e do anulamento da sua programação.

Na sociedade da self-mídia, na sequência de todas a representações que o espaço doméstico já conhece, o esforço conceitual que agora esperamos dele é extraordinário: ser cenografia de todos os nossos rituais, de todas as nossas necessidades e emoções.

Todavia, essa tentativa de ressignificação do ambiente doméstico revela-se parcial e insatisfatória: na tentativa de reconstruir dentro dele a complexidade das nossas relações com a cidade, nos damos conta de que os limites arquitetônicos da nossa casa são também seus limites conceituais. Quarto-banheiro-cozinha-sala ainda representa uma constelação valiosa para a casa do século XXI?

Fico imaginando que a pandemia terá um grande impacto no mercado imobiliário: não tanto pelo novo ritmo e os números de compra e venda, mas pela nova sensibilidade espacial que essa crise social irá gerar. O modelo de quitinete será ainda uma opção viável? O loft, ou qualquer outra forma de “individualidade doméstica”, permanecerá sendo uma possibilidade fascinante do “lifestyle metropolitano”?

No Brasil, o apartamento compartilhado nomina-se República. Sempre adorei isso. Este título sugere uma reflexão sobre a autonomia política e um tanto quanto ontológica que o espaço doméstico detém. República é necessariamente pluralidade, é justamente pluralidade o que teremos que procurar na casa do futuro.

O confinamento que vivemos será útil para repensar a relação entre doméstico e urbano em um futuro onde já não existe limite entre público e privado. Ao tentarmos enriquecer o espaço doméstico, não encontraremos respostas nem nas telas nem na internet; elas estarão nos outros espaços, nas outras pessoas e em novas experiências físicas, domésticas e afetivas.


























© Duto